O Peido Salvador (JLacoli)
Essa é uma história bem engraçada, fruto da imprevidência, eivada de preconceitos machistas, estimulada pela inexperiência e avidez de todo indivíduo querer trepar todas as mulheres que desperta o seu apetite sexual.
Isso, por mais que os homens neguem, acontece com muita freqüência numa fase de auto-afirmação, com aquela arrogância típica dos que se julgam bom de cama, grande fudedor, sempre com aquela desculpa da fome ou do desejo incontido.
Foi o que aconteceu com R. R Fonseca, um jovem vindo do interior da Paraíba, filho de um pequeno comerciante, educação doméstica exemplar, obediente aos preceitos religiosos que nortearam a formação do seu caráter.
Concluiu o curso ginasial e clássico na capital, ingressou na Universidade onde se diplomou Bacharel em Direito pela Federal, mas para custear os estudos, trabalhou duro na área de comunicação, atravessando noites nas redações das rádios e jornais, com o entusiasmo de informar, em primeira mão, as notícias políticas, econômicas, esportivas e policiais tão ao gosto dos seus leitores.
Quem conhecia naquela época as dificuldades de trabalhos na redação, das máquinas rotativas velhas, dos linotipistas, do odor das tintas e papeis, das comunicações telefônicas, do ouvido colado a Radio Nacional e BBC de Londres, não podia imaginar o trabalho heróico da chegada das notícias às bancas dos jornais as primeiras horas da manhã. Uma loucura! Mas uma loucura que enchia de prazer e satisfação a cada edição ou programa levado ao ar.
R.R. Fonseca, ou Fonsequinha, apelido dos íntimos, moreno de média altura, cabelos pretos, corpo atlético, olhar curioso e indagador, freqüentador das peladas de Jaguaribe, cumpria diariamente esse ritual, agora com a responsabilidade de chefia de redação e, também, de pai de família responsável.
Quem abraça a carreira de jornalista ou comunicador, não tem hora para comer e dormir, as boas notícias chegam sempre no meio da noite, numa roda de bar, saboreando uns acepipes e outras iguarias, tomando um chope ou bebendo rum com coca-cola, a bebida da época, preferida pelos paraibanos, ao lado da boa pinga ou do conhaque Dreher. Eram as únicas bebidas ao alcance do bolso, exceto para os que dispunham de crédito para o pindura no Bar e Restaurante do Bambu.
Nesse ritmo efervescente, não faltava às aventuras amorosas para acalmar as atribulações do dia ou as comemorações sobre os furos das reportagens. Nada melhor, então, do que um encontro fortuito, uma pulada de cerca, uma boa trepada.
Mas naquele dia de verão, Fonsequinha resolver brindar-se com uma noite de regalias, acertara um programinha com uma adolescente vinda de Bayeux, que andava rodando a bolsinha na Praça Três Poderes, defronte do prédio da antiga União, hoje Assembléia Legislativa.
A menina era um pitéu, fantasiou Fonsequinha, apresentava ainda o corpinho em formação, os seios pontiagudos, o vestido de chita colorido, os cabelos pretos, os lábios vermelhos, estimulou o tesão do garanhão, ávido de comer aquela presa indefesa que insistia em desfilar de frente ao seu terreiro.
Acertado no dia anterior o programa, o graduado jornalista deixou a jovem em estado de êxtase, sonhadora, seria uma glória transar com o doutor, em lugar dos habituais amantes taxistas, a quem atendia, nas noites acaloradas, em fila indiana, que não tinha fim, com o frescor da sua juventude.
Mas isso, pouco interessava a Fonsequinha que saindo cedo do trabalho, logo ao escurecer, a apanhou as escondidas à margem da Lagoa, rumando pela BR para Cabedelo, a procura dos leitos clandestinos dos motéis, local seguro para o aconchego dos amores proibidos, altar das infidelidades, confessionário das traições e das juras não cumpridas.
Ao dar partida no velho fusca em companhia da ninfeta, Fonsequinha, percebeu, pelo olfato apurado, a alergia crônica que sentia das loções de alfazema usadas pela companheira de aventura. É lógico que não poderia esperar que usasse perfume francês, pelo fato dela morar na cidade de Bayeux.
Mas, corajoso, preferiu ir em frente, nada do que um banho morno e um sabonete de qualidade induvidosa, poderia resolver, era o que pensava.
Abrigados no apartamento de luxo, à meia luz, Fonsequinha, ficou de cueca, enquanto a sua presa despia-se mostrando um corpinho de menina sofrida, precocemente, desgastada pelo excesso de esforço corporal.
Imaginou-se um pedófilo, uma palavra da moda, caso houvesse uma batida do juizado de menores no local, a vida que construíra com tantos sacrifícios, estaria irremedialmente comprometida.
Fonsequinha esperava o momento de jogar a toalha, quando a jovem saindo despida do banheiro, de rosto lavado, lembrou-se do colega cronista do jornal que dizia: Essas meninas bonitas, com a face coberta de ruge e batom, disfarçam a palidez do rosto e a profunda anemia que retrata a sua fome.
- Então a jovem perguntou-lhe: Posso pedir alguma coisa?
- Sim, sim, fique a vontade, Verônica.
- Por favor: Me mande uma carteira de cigarro Hoolyood e um Celveja gelada.
- Está bem? - Logo que foi atendida, abriu a carteira de cigarro, deu as primeiras baforadas e, a seguir, dois goles da preciosa Celveja, indagando do garanhão: Aceita um golinho da Celveja, meu amor?
Nesse instante, Fonsequinha deu um branco: A cabeça de cima entrou em parafuso a de baixo, escalada para a empreitada amorosa, recolheu-se como pescoço de cágado.
Era hora de cair fora, estava perturbado, a ninfeta colocou o copo da Celveja ao lado do cinzeiro, com o cigarro fumaçando, preparando-se para agradar o encabulado trepador. Fogosa, virando-se na cama de mau jeito, não conteve os gases represados e deu um grande peido, o mau cheiro de enxofre contaminou todo o ambiente.
Era o que Fonsequinha esperava: Deu um salto da cama, começou a vestir-se, deixando a parceira em pavorosa que apelava em súplicas:
- Me desculpe doutor, me desculpe doutor, acho que foi a buchada que comi ontem à noite....
- Fonsequinha, zangado disse: Vamos, vamos embora! Tome aqui cinquenta reais pelos seus serviços.
- Mas eu não fiz nada, doutor, me deixe dar, pelo menos, uma chupadinha em retribuição à sua generosidade.
- Não, não, nada disso, vamos embora, desabafou descontrolado, batendo logo em retirada. O antídoto potencial dos gases da ninfeta, foi arrasador, o vexame de Fonsequinha irreversível.
Afinal de contas, com um peido dessa magnitude, não tem pau que levante!
Isso, por mais que os homens neguem, acontece com muita freqüência numa fase de auto-afirmação, com aquela arrogância típica dos que se julgam bom de cama, grande fudedor, sempre com aquela desculpa da fome ou do desejo incontido.
Foi o que aconteceu com R. R Fonseca, um jovem vindo do interior da Paraíba, filho de um pequeno comerciante, educação doméstica exemplar, obediente aos preceitos religiosos que nortearam a formação do seu caráter.
Concluiu o curso ginasial e clássico na capital, ingressou na Universidade onde se diplomou Bacharel em Direito pela Federal, mas para custear os estudos, trabalhou duro na área de comunicação, atravessando noites nas redações das rádios e jornais, com o entusiasmo de informar, em primeira mão, as notícias políticas, econômicas, esportivas e policiais tão ao gosto dos seus leitores.
Quem conhecia naquela época as dificuldades de trabalhos na redação, das máquinas rotativas velhas, dos linotipistas, do odor das tintas e papeis, das comunicações telefônicas, do ouvido colado a Radio Nacional e BBC de Londres, não podia imaginar o trabalho heróico da chegada das notícias às bancas dos jornais as primeiras horas da manhã. Uma loucura! Mas uma loucura que enchia de prazer e satisfação a cada edição ou programa levado ao ar.
R.R. Fonseca, ou Fonsequinha, apelido dos íntimos, moreno de média altura, cabelos pretos, corpo atlético, olhar curioso e indagador, freqüentador das peladas de Jaguaribe, cumpria diariamente esse ritual, agora com a responsabilidade de chefia de redação e, também, de pai de família responsável.
Quem abraça a carreira de jornalista ou comunicador, não tem hora para comer e dormir, as boas notícias chegam sempre no meio da noite, numa roda de bar, saboreando uns acepipes e outras iguarias, tomando um chope ou bebendo rum com coca-cola, a bebida da época, preferida pelos paraibanos, ao lado da boa pinga ou do conhaque Dreher. Eram as únicas bebidas ao alcance do bolso, exceto para os que dispunham de crédito para o pindura no Bar e Restaurante do Bambu.
Nesse ritmo efervescente, não faltava às aventuras amorosas para acalmar as atribulações do dia ou as comemorações sobre os furos das reportagens. Nada melhor, então, do que um encontro fortuito, uma pulada de cerca, uma boa trepada.
Mas naquele dia de verão, Fonsequinha resolver brindar-se com uma noite de regalias, acertara um programinha com uma adolescente vinda de Bayeux, que andava rodando a bolsinha na Praça Três Poderes, defronte do prédio da antiga União, hoje Assembléia Legislativa.
A menina era um pitéu, fantasiou Fonsequinha, apresentava ainda o corpinho em formação, os seios pontiagudos, o vestido de chita colorido, os cabelos pretos, os lábios vermelhos, estimulou o tesão do garanhão, ávido de comer aquela presa indefesa que insistia em desfilar de frente ao seu terreiro.
Acertado no dia anterior o programa, o graduado jornalista deixou a jovem em estado de êxtase, sonhadora, seria uma glória transar com o doutor, em lugar dos habituais amantes taxistas, a quem atendia, nas noites acaloradas, em fila indiana, que não tinha fim, com o frescor da sua juventude.
Mas isso, pouco interessava a Fonsequinha que saindo cedo do trabalho, logo ao escurecer, a apanhou as escondidas à margem da Lagoa, rumando pela BR para Cabedelo, a procura dos leitos clandestinos dos motéis, local seguro para o aconchego dos amores proibidos, altar das infidelidades, confessionário das traições e das juras não cumpridas.
Ao dar partida no velho fusca em companhia da ninfeta, Fonsequinha, percebeu, pelo olfato apurado, a alergia crônica que sentia das loções de alfazema usadas pela companheira de aventura. É lógico que não poderia esperar que usasse perfume francês, pelo fato dela morar na cidade de Bayeux.
Mas, corajoso, preferiu ir em frente, nada do que um banho morno e um sabonete de qualidade induvidosa, poderia resolver, era o que pensava.
Abrigados no apartamento de luxo, à meia luz, Fonsequinha, ficou de cueca, enquanto a sua presa despia-se mostrando um corpinho de menina sofrida, precocemente, desgastada pelo excesso de esforço corporal.
Imaginou-se um pedófilo, uma palavra da moda, caso houvesse uma batida do juizado de menores no local, a vida que construíra com tantos sacrifícios, estaria irremedialmente comprometida.
Fonsequinha esperava o momento de jogar a toalha, quando a jovem saindo despida do banheiro, de rosto lavado, lembrou-se do colega cronista do jornal que dizia: Essas meninas bonitas, com a face coberta de ruge e batom, disfarçam a palidez do rosto e a profunda anemia que retrata a sua fome.
- Então a jovem perguntou-lhe: Posso pedir alguma coisa?
- Sim, sim, fique a vontade, Verônica.
- Por favor: Me mande uma carteira de cigarro Hoolyood e um Celveja gelada.
- Está bem? - Logo que foi atendida, abriu a carteira de cigarro, deu as primeiras baforadas e, a seguir, dois goles da preciosa Celveja, indagando do garanhão: Aceita um golinho da Celveja, meu amor?
Nesse instante, Fonsequinha deu um branco: A cabeça de cima entrou em parafuso a de baixo, escalada para a empreitada amorosa, recolheu-se como pescoço de cágado.
Era hora de cair fora, estava perturbado, a ninfeta colocou o copo da Celveja ao lado do cinzeiro, com o cigarro fumaçando, preparando-se para agradar o encabulado trepador. Fogosa, virando-se na cama de mau jeito, não conteve os gases represados e deu um grande peido, o mau cheiro de enxofre contaminou todo o ambiente.
Era o que Fonsequinha esperava: Deu um salto da cama, começou a vestir-se, deixando a parceira em pavorosa que apelava em súplicas:
- Me desculpe doutor, me desculpe doutor, acho que foi a buchada que comi ontem à noite....
- Fonsequinha, zangado disse: Vamos, vamos embora! Tome aqui cinquenta reais pelos seus serviços.
- Mas eu não fiz nada, doutor, me deixe dar, pelo menos, uma chupadinha em retribuição à sua generosidade.
- Não, não, nada disso, vamos embora, desabafou descontrolado, batendo logo em retirada. O antídoto potencial dos gases da ninfeta, foi arrasador, o vexame de Fonsequinha irreversível.
Afinal de contas, com um peido dessa magnitude, não tem pau que levante!
(JLacoli)
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