quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Esperneou, brigou, mas chupou!

As reações humanas, em determinadas circunstâncias, são imprevisíveis e, às vezes, engraçadas ou cômicas.

Foi o que aconteceu com Daniella, uma jovem vinda lá dos confins do interior de Pernambuco para tentar a vida no Recife.Loira, alta, olhos azuis, corpinho enxuto, veio morar com a irmã Jussara, casada com um funcionário público, gente humilde de poucas posses.

Morava no bairro de Casa Amarela, logo se identificou com a cidade grande, conseguiu um pequeno emprego público, ganhava apenas o suficiente para manter-se.

Vivia em economia de guerra, a calça de jeans surrada e camisas de algodão, eram suas roupas freqüentes, acordava cedo para pegar o primeiro ônibus para o centro da capital.

Disposta, ambiciosa e sonhadora, participara no interior de concurso de beleza, sendo eleita à rainha da cidade, sem qualquer concorrência ou contestação.

Não era rica, o pai agricultor faziam enorme esforço para educá-la, desejava que encontrasse um bom marido que lhe desse felicidade.

Daniella como toda a rainha que se preza, tornou-se vaidosa, os rapazes ricos começaram a cortejá-la, arranjou o primeiro namorado, estudante de medicina no Rio de Janeiro, um rapaz cheio das manhas cariocas, acostumado às orgias das grandes cidades.

Daniella deslumbrou-se, imaginava-se uma deusa, vivendo em apartamento à beira mar, que nunca vira antes, possuindo carros, roupas finas, restaurantes e viagens de lazer. Vivia sempre nas nuvens, num mundo imaginário, que só cabia em sua mente.

Daí as facilidades nos seus deleites, e os fracassos de todas as suas tentativas amorosas, sucessivamente frustradas, a começar com o primeiro namorado que estudava no Rio.

Bem, Daniella era daquelas mulheres marcadas pelo destino, havia um abismo sem tamanho entre o seu desejo contido e o encontro de um amor verdadeiro.

Por isso, fizera inúmeras tentativas, entregou-se a variados amantes, nacionais e estrangeiros, brancos e mulatos, colegas de trabalho, políticos, estudantes, empresários, professores e doutores,

Chegou à casa dos quarenta anos com uma experiência sexual de fazer inveja a qualquer profissional, tornara-se maestrina nos leitos dos motéis, mas não conseguia conquistar o coração dos parceiros, apesar de todo o seu esforço lingüístico-corporal.

Mas a aventura amorosa mais engraçada de Daniella ocorreu há pouco tempo, com o empresário Gerson Amarante, um senhor na casa dos cincoenta e cinco anos, desquitado, um garanhão inveterado.

Gerson era rico, tinha uma cadeia de lojas, morava sozinho numa cobertura na Boa Viagem, tinha a praia e o mar a seus pés.

Pois bem, Gerson certo dia pessoalmente atendeu a Daniella numa das suas lojas, gostou do seu jeito, sorriso cheio de sedução e malícia, habilidades que a Daniella sabia disfarçar.

Logo a troca de telefonemas, na primeira semana lhe ofereceu jantar a luz de velas, ocasião em que trocaram juras de amor,

Isso foi o bastante para Daniella manter acesa a chama das suas fantasias milionárias, seria a hora de fisgar o coração do solitário e rico garanhão.

Havia pouco tempo em que se conheceram, até então não haviam transado, mas Gerson a convidou numa sexta-feira para tomar um drink no seu apartamento.

Daniella quase enlouqueceu com o inesperado convite, seria a ocasião de mostrar as suas habilidades e fantasias sempre elogiadas, mas constantemente desprezadas.

Não foi trabalhar naquela tarde, preocupou-se com a ida ao cabeleleiro, com a maquiagem, com o vestido mais bonito. Perfumou-se, queria impressionar o novo pretendente e lá se foi às nove da noite para o apartamento da Boa Viagem.

Quando entrou no apartamento de Gerson, sala espaçosa, decoração primorosa, móveis finos e aconchegantes, a vista para o mar a deixou fascinada, quando ele lhe serviu e beijou-lhe a face, dizendo:

- Vou colocar músicas de Vinícius de Moraes para você meditar, enquanto vou tomar um banho e volto logo.

Vinte minutos depois aparece Gerson, com um copo de wisky na mão, estava penteado, cheiroso, vestido apenas com um roupão de seda.

Estava preparado para a batalha sexual, conduziu Daniella para a sofisticada suíte, onde a sua presa desnudou-se totalmente, julgando-se desejada e atraída.

Gerson, na realidade continuava sendo um sujeito indelicado no trato com as mulheres, mal educado, egresso da feira de Caruaru, ficara rico no Recife, não tinha nenhum respeito pelas pessoas e, na ocasião, virando-se para Daniella, mostrou o cacete duro, ordenando como se fosse um general: Daniella chupe aqui!

Ela estranhou a maneira rude como falara, mas ele deu uma de desentendido e voltou a insistir, balançando o cacete, repetindo:

- Vamos logo chupe, chupe...

Daniella ficou enfurecida, descontrolada, sentiu a agressão, uma afronta dos diabos aos seus sentimentos e o repeliu:

- Pensei, Gerson, que você fosse um cavalheiro, mas me enganei. Você é um sujeitinho arrogante, autoritário, mal educado, não sabe tratar uma mulher com gentileza, com sensibilidade e romantismo. Vejo que você não perdeu as suas origens de caminhoneiro, acostumado a humilhar as pessoas.

E continuou falando:

- O dinheiro e o tempo não lhe ensinaram a conquistá-las, a compreender o que é o amor, a sentir uma paixão, a entender os sentimentos íntimos das pessoas. Você é egoísta, trata as mulheres como se fossem suas empregadas. E desabafou indignada: Nunca vi na minha vida um sujeito tão grosso!

Gerson escutou tudo calado, solveu mais um gole do precioso escocês, deu um sorriso debochado, achava sempre engraçado as reações de suas amantes e então, calmamente, voltou a falar:

- Agora que você desabafou, Daniella, é hora de você demonstrar as suas qualidades, vamos ao serviço...

- Então, Daniella conteve-se, pensamentos rápidos, imaginou como agarrar o partidão que era o Gerson, parou de vociferá, olhando-o misteriosamente, e começou a chupá-lo. E como o chupou....

Gerson, depois de gozar, a surpreendeu, dissimulando um sorriso de satisfação, derramando-se em elogios dizendo:

- Você foi admirável, Daniella, teve desempenho estimulante, completo. Gostei da maciez da sua língua, da sua embocadura e da sua habilidade em solfejar o dó-ré-mi como se estivesse a tocar uma sinfonia de Chopin.

E completou: Em nosso próximo encontro, Daniella, vou testar a sua harmonia soprando a clarineta de Pixinguinha...

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