O Médico Aloprado
Esta história vem lá do interior do Maranhão, de uma cidade do Vale do Mearim, região pré-amazônica, de terrenos férteis, propícios para a exploração daquilo que os agrônomos mais experiente denominam de ABC- Arroz, Boi e Capim. Gente humilde, trabalhadora, de costumes simples vivendo para a agricultura, tinha na colheita nos frutos do babaçu, a sua principal atividade.
Pois bem, quem vive em cidade do interior, sabe de suas limitações, dos aperreios que dependem do humor do chefe político do município, um empreguinho aqui, outro acolá, o trabalho modesto de merendeiras das escolas públicas, de auxiliar de enfermagem, dos serviços de limpeza das ruas ou de fiscal público, uma espécie de espião dos adversários políticos do prefeito. Os cargos mais importantes da cidade estão no judiciário, nos cartórios, nas delegacias de polícia e na área de educação e saúde.
Essa é a vida do interior e não era diferente na cidade do Mearim, onde o médico Gilberto da Fonseca, mais conhecido como doutor Fonsequinha, de família tradicional da capital, nomeado para o trabalhar no posto médico do município, tendo outro emprego no estado. Doutor Fonseca, esculápio inteligente, filho de rico e influente líder político do Estado, estudou e formou-se pela faculdade de medicina do Recife, especializando-se em ginecologia.
Bem, doutor Fonseca trabalhava no interior, clinicando há mais de cinqüenta anos, fazia de tudo, não tinha hora para comer ou dormir. Tornou-se em pouco tempo, a figura mais importante da cidade, passando a exercer uma liderança natural, cultivava e absorvia com naturalidade, essa magia política que vinha dos seus antepassados.
Não foi difícil e logo Fonsequinha enveredou pela política, sem abandonar as suas atividades médicas, atendia toda a população, das crianças aos velhinhos, era o dedicado médico da família, o homem da cabeceira, sabia a vida de toda a população, gabava-se de ter realizado os partos de mais de duas gerações da cidade do Mearim.
Com uma folha de serviços das mais laboriosas, Fonsequinha, de forasteiro, passou a líder da comunidade, elegeu-se prefeito por duas legislaturas, nada se fazia no município, das festas religiosas as comemorações mais simples, sem a sua presença, de cuja ausência poderia redundar o fracasso do evento ou o desprestígio dos patrocinadores. Beirando já os setenta anos, doutor Fonseca era o símbolo diabólico da sedução, mantinha aparência respeitável e fama de garanhão inveterado, suas aventuras sexuais deixaram pegadas que ficaram marcadas nos leitos conjugais de honrados casais, encobertas sob lençóis de linho, manchados pelas impurezas de tantas traições.
Seus casos tornaram-se famosos, ganharam dimensão extraterritorial, mesmo abafados pela amedrontada sociedade, dependente e receosa de cair em desgraça das graças do único médico da cidade. Mesmo com os riscos decorrentes do seu apetite sexual, Fonsequinha era terrível, comia da atendente, a enfermeira, à médica, mocinhas da cidade, beradeiras, filhas de comerciantes e agricultores, que vinham examinar-se com ele, não interessava saber da sua condição financeira ou classe social. Se o pitéu lhe agradava, fossem mulatas, morenas, loiras, ruivas, despertando o seu desejo, tentaria come-la, sem contemplação.
As mulheres precisavam ter muita moral e formação doméstica para não se deixar seduzir pelo esperto garanhão. Apesar do sigilo desses casos, que só vieram à tona depois de muitos anos, ficou-se sabendo das estripulias do doutor Fonseca.
Recentemente, um amigo particular, afilhado de Fonsequinha e que privava de sua amizade, parceiro de constantes viagens entre o Mearim e São Luiz, contou-me um dos seus casos que achei dos mais inusitados. Por volta da década de setenta, já à tardinha, Fonsequinha foi procurado por um agricultor que trouxera a esposa para reexame no seu consultório. A jovem senhora, morena bonita, cabelos pretos, seios pequenos, dentes perfeitos, corpo enxuto, na linguagem moderna, corpinho bem malhado, desde a primeira vez que lhe despertara o tesão. A jovem senhora queixava-se de corrimento vaginal, sem grande importância. No seu retorno para reexame, naquela tarde chuvosa, em presença do marido, um capionga humilde e desajeitado, depois examiná-la em detalhes e despi-la intencionalmente, Fonsequinha passou-lhe um creme pelas bordas da xoxota da fogosa paciente, deixando uma quantidade maior de creme na entrada da xoxota, tendo surpreendido o marido ao falar:
- Agora é preciso que você com a sua ferramenta, bem dura, introduza o material para dentro da cavidade.
O incauto agricultor, com as ordens inesperadas do médico, sentiu-se desnorteado e broxou.
Nunca fizera sexo na vista de ninguém com a sua mulher e, desorientado, desculpou-se respondendo ao médico:
- Não doutor Fonseca, nada disso, de jeito nenhum. A paciente é sua, o senhor é o responsável pelo tratamento.
Era tudo que Fonsequinha desejava. Já estava com o pau duro desde que começara a passar creme na xoxota da paciente, tendo baixado as calças ligeiro e subindo sobre a mulher do agricultor empurrou-lhe o cacête, tendo o cuidado de ordenar ao marido:
- Por favor, Manoelzinho, agora você segure os meus ovos para não queimar!
Depois de gozar, Fonsequinha completou: - Agora você pode levar a sua mulher, pois com essa aplicação ela vai ficar curada para sempre.
E o côrno foi embora agradecendo ao doutor Fonsequinha pelo tratamento... Vai ser côrno assim na casa do caralho! (J. Lacoli)